segunda-feira, maio 27, 2013

A polêmica da marchinha "Cachaça" - Parte 2

O escândalo: Colé cantou "Cachaça" com gosto. Carmen Costa fez dupla com Colé. Mirabeau Pinheiro, um dos muitos autores. Lúcio de Castro diz que também fez... (Fotos: Revista do Rádio de 10/03/1953).
"Marinósio Filho apareceu quando menos se esperava. E mostrando documentos, inclusive um disco que o garantiu como o legítimo autor da “Cachaça”. Ganhou a questão com justiça."

"Praticamente às vésperas do Carnaval carioca, o senhor Marinósio Filho, residente em Londrina, Paraná, compareceu a sede da União Brasileira de Compositores para reclamar a paternidade da marchinha “Cachaça”, que estava sendo cantada, por todo o Brasil, através do rádio e de uma grande vendagem de discos.

Houve escândalo porque a mesma melodia fora gravada como de autoria de três outros compositores — Héber Lobato, Mirabeau Pinheiro e Lúcio de Castro. Entretanto, aquêle que se dizia o verdadeiro autor levava documentos e um disco que asseguravam a veracidade de suas palavras: segundo esses, “Cachaça” fora registrada, em 1945, no Instituto Nacional de Música, e gravada, na mesma época, no Uruguai, na fábrica de discos “Sand’ Or”.

O disco foi tocado e comprovou-se que a melodia era a mesma, com pequeníssimas modificações! A UBC reconheceu, então, o senhor Marinósio Filho como o autor legítimo da marchinha, prontificando-se a ajudá-lo a receber os direitos autorais competentes, inclusive porque o mesmo pertencia ao seu quadro de associados.

No dia seguinte, levado à Editora “Copacabana Musical”, o senhor Marinósio Filho assinou contrato para o recebimento dos direitos de execução de “Cachaça” em todo o Brasil. Resolveu não adotar questão judicial contra os outros pseudo-autores, preferindo, mesmo, aceitá-los na qualidade de “colaboradores” — com exceção de Lúcio de Castro destinando-lhes 15 por cento de sua renda. Foi a melhor solução encontrada."

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Fonte: Revista do Rádio – 10 de março de 1953.