terça-feira, maio 21, 2013

As estrelas morrem sozinhas

Dolores Duran
"Quem não se lembra de como morreu Dolores Duran? Sozinha. Foi se deitar, boa, sem nada sentir, sem se queixar de coisa alguma. Como custasse a despertar, sua empregada se assustou. Chamou. E como Dolores não abrisse a porta do quarto, nem respondesse, a empregada foi encontrá-la morta, na cama, como se estivesse dormindo. Durante o sono, Dolores Duran faleceu. Sozinha.

E Carmen Miranda, lembram-se? Só que a Carmen querida estava doente. Tinha melhorado muito, depois de visitar o Brasil. Mas já voltara ao trabalho. E, recolhendo-se tarde da noite, à sua residência, foi para seu quarto separado, enquanto seu esposo descansava em outro. Pela madrugada, Carmen levantou-se, passando mal, deu dois ou três passos, sem poder chamar pelo marido e... caiu morta, sozinha.

Carmen Miranda
Só horas mais tarde seu esposo veio a encontrá-la. A grande estrela nem pudera ser socorrida. Morreu só. Sozinha, naquela casa grande e luxuosa de Hollywood.

Agora, recentemente, foi Zezé Fonseca. Estava só, em seu apartamento pequeno de Copacabana. Preparava o almoço, já tarde, quando explodiu o fogão a gás. Morreu Zezé, carbonizada, sem que alguém a pudesse socorrer. Morreu só. Sozinha.

Será isso um desígnio? Será uma coincidência? Por que morrem as estrelas sozinhas?

Zezé Fonseca
A morte é sempre um ato triste, incompreensível na maioria das vezes. Mas muito mais triste e menos se compreende e se aceita que alguém possa morrer sem alguém perto. Mas foi assim que morreram três estrelas queridas do público brasileiro: Dolores Duran, Carmen Miranda, Zezé Fonseca. As duas primeiras estavam no auge da glória, da consagração.

Coincidência? Fatalidade? Ninguém entende a morte...

Dirão que muita gente já ter morrido assim. É certo. Que outras estrelas também tenham dormido o sono eterno e que seus nomes não estão aqui. Mas não é o que importa, agora. Mas o que os fãs tem em memória são esses três, de Dolores, de Carmen, de Zezé. Morreram sem um adeus, sem uma mão amiga de alguém ao seu lado, sem a prece de um ente querido, sem nada.

Mas há um consolo e a ele nos devemos agarrar: nada neste mundo acontece sem ser por vontade de Deus. E Deus sabe o que faz."

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Fonte: Revista do Rádio - 29 de Setembro de 1962.