sexta-feira, junho 21, 2013

O dom da família Batista

Batista Júnior e seus bonecos, com suas filhas Linda e Dircinha (Revista da Semana, de 17/4/1937)
“É difícil encontrar-se no meio artístico, qualquer que seja elementos da mesma família que se destaquem igualmente, sem que um, seja ofuscado pela fama do outro, do mais antigo. Há, não resta dúvida, exceções. Na América do Norte, a família Barrymore tem obtido grande sucesso, enquanto que aqui, no Brasil, a família Batista já se tornou famosa.

O primeiro nome a aparecer foi o de Batista Júnior, figura que alcançou nos nossos meios artísticos, grande prestígio e admiração. Especialmente no ambiente da ribalta a popularidade que desfrutou esse grande artista foi quase sem precedente. Iniciou sua difícil arte de fazer rir nos palcos de São Paulo, de onde o seu nome propagou-se com rapidez pelo Brasil inteiro. Considerado o maior ventríloquo do Brasil, conquistou em diversos concursos medalhas e diplomas de honra.

O seu nome cresceu... e sua fama espalhou-se com extraordinária facilidade, mesmo além fronteiras. Recebeu então convite para levar até os palcos argentinos e uruguaios, os seus já famosos bonecos falantes. E nestas duas repúblicas amigas, como em outros países sul-americanos os seus triunfos se sucederam. Voltando ao Brasil, percorreu quase todos os Estados colhendo os mais calorosos aplausos.

Pelo cenário radiofônico sua passagem foi também das mais brilhantes. Mesmo como compositor musical o seu nome obteve sucesso. Aliás, o primeiro disco gravado por Dircinha Batista, com apenas oito anos, foi a valsa de sua autoria: “Borboleta Azul”.  Sua última atuação no rádio deu-se na Nacional. Em princípios quase de 1943 quando preparava nova série de espetáculos radiofônicos faleceu. Legando, porém à Dircinha e Linda o seu nome e fibra de grande artista que foi.

Dircinha Batista, embora mais moça, é mais antiga no meio radiofônico do que Linda. Sua primeira atuação perante um microfone deu-se na Rádio Educadora Paulista. Mas seu primeiro contrato foi firmado com o Rádio Clube do Brasil, aos onze anos. E a garotaque fora a princesinha do rádio foi lançando uma série enorme de sucessos: “Pirata da areia”, “Periquitinho verde”, “Tirolesa”, “Upa, upa”, “Eu gosto de samba”, “Bem-te-vi”, “Música maestro” etc.

Como o do pai, seu nome projetou-se além fronteiras, culminando com uma temporada de relevo em Buenos Aires. Cantando com especialidade o samba e a marchinha brasileira, Dircinha interpreta com destaque o bolero mexicano, o tango portenho, dolente e nostálgico, as canções cubanas, e as próprias valsas brasileiras. Também no cinema nacional a “linda” Batista, tem emprestado o seu concurso, já tendo trabalhado em diversos filmes, entre os quais o famoso “Futebol em família”, tendo por gala Arnaldo Amaral.

O terceiro nome desta família em que o valor artístico pontificou é o de Linda Batista. Como Dircinha, foi levada ao microfone pela mão de Batista Junior.

Atuando, de início, em diversas estações simultaneamente o seu nome foi logo se tornando conhecido. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha “Bis Maestro”, sendo até hoje, um dos seus discos, que obteve maior venda. Em 1936, foi eleita pela primeira vez “rainha do rádio”, e desde então nunca mais perdeu o posto supremo. Seu primeiro contrato de exclusividade foi firmado com a Rádio Nacional, onde permaneceu durante alguns anos, transferindo-se no ano passado para a PRG3 Tupi do Rio.

Não só no rádio, mas também nos principais cassinos da cidade, de Belo Horizonte e de São Paulo, atuando ao lado de Grande Otelo, Linda Batista tem conquistado os mais frementes aplausos. No cinema o seu último grande sucesso foi conquistado em "Não adianta chorar", onde interpretou suas últimas grandes criações carnavalescas.

Como vêem os prezados leitores, três nomes da mesma família que obtiveram igual sucesso. "A força revolucionária da nossa música", Dircinha Batista e a "Rainha do Rádio", Linda Batista, são legítimas continuadoras dos sucessos de Batista júnior, sucessos que levaram aos grandes centros da América do Sul, o nome glorioso do Brasil artístico.”

(Reportagem de Batira Brasil)

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Fontes: Revista da Semana de Abril/1937; A Cena Muda de 06/03/1945.